Com um vestido
de gaze branca bordada, sobre outro de cetim da mesma cor ostentando a grã-cruz
do Cruzeiro, naquele ambiente literalmente cheio do que havia de mais notável e
ilustre, bastante emocionada, pronunciou
com voz alta e clara :
- «Juro manter a Religião Católica Apostólica Romana, observar a Constituição Política da Nação Brasileira e ser obediente às leis e ao Imperador».
- «Se nos expulsam, a mim e a minha família pelo que assinei aí; repostas as coisas como dantes, hoje eu tornaria a escrever meu nome sem vacilação».
Não foram os descontentes com a lei de 13 de maio que fizeram a República. Quem a fez foi o Exército e a Armada em nome da Nação.
A produção do café, em vez de diminuir, aumentou consideravelmente. Que digam as estatísticas. - A propalada ruína da lavoura não se deu na Monarquia, tendo como causa a libertação dos escravos, e sim, no começo da República com o (*)encilhamento em que os agricultores hipotecavam suas fazendas não só no Banco do Brasil como em outros para jogarem na bolsa atrás de maiores e mais rápidos lucros.
Quando se proclamou a República, o Brasil pouco devia à Inglaterra, estava numa situação financeira nunca vista, com o câmbio mais do que ao par, isto um ano e oito meses depois da Abolição, tempo sobejamente suficiente para se sentir os efeitos da lei.
(*O encilhamento foi uma crise econômica brasileira que ocorreu
na transição da Monarquia à República)
Acordado, o Imperador foi informado que deveria se vestir para embarcar. Surpreso e revoltado, disse "que não sairia como um negro fugido...". Mas, por volta das três da manhã, foi escoltado juntamente com a Imperatriz e toda a família, além de alguns amigos, para o Cais Pharoux, bem atrás do Paço Imperial, hoje Praça XV. Somente um coche negro puxado por dois cavalos estava à disposição, onde foram os imperadores e a princesa Isabel; os demais seguiram a pé. Uma lancha do Arsenal de Guerra, tripulada por quatro alunos da Escola Militar, aguardava-os, sendo transportados para o pequeno cruzador Parnaíba, apelidado de "gazela do mar", fundeado na Baía da Guanabara, próximo à Ilha Fiscal. - Às 10 horas da manhã chegaram os três jovens príncipes, Pedro de 14 anos, Luiz de 11 anos, e Antônio de 8 anos, que se encontravam em Petrópolis, acompanhados pelo seu preceptor, o barão de Ramiz Galvão, e do engenheiro André Rebouças, amigo da família imperial, que havia subido a serra especialmente para trazer os filhos da Redentora e do Conde D´eu. A bordo, profundamente abalada, estava a imperatriz dona Thereza Christina, que muito chorava; não menos comovida estava a princesa Isabel, mas aliviada com a chegada dos seus filhos.
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