terça-feira, 15 de junho de 2010

Holocausto no Caldeirão Ceará e Pau de Colher Bahia envergonha a elite do Nordeste

Em 13 de maio de 1888, que acabou com a escravidão no Brasil. Acabou? Com o fim do regime, não houve um assentamento dos povos em terras, não lhes deram as mínimas condições para desenvolverem um trabalho. Os escravos ficaram meio perdidos, sem saber direito o que fazer com a tão sonhada liberdade, tanto que muitos deles continuaram trabalhando no mesmo local, em um regime de semi-escravidão. Outros se aglomeraram em cortiços, cabeças-de-porco, nas periferias e morros das cidades. O resultado disso está aí, para todo mundo ver a exclusão... e sentir. Transcorrido pouco mais de 100 anos, o que as governanças fizeram para resolver a exclusão e melhor qualidade de vida do povo brasileiro?  

Os cidadãos brasileiros, gostaríamos ainda que estes governantes nos respondesse: Os brasileiros  que pronunciam juramentos secretos na Maçonaria Internacional, no Grande Oriente, ou na Burschenchaft paulista, ou na Tugenbund de Olinda, que veio do judaísmo alemão, muitos bucheiros que ocupam cargos do governo,  também estão vestidos com a nossa roupa verde e amarela? (4).

Na minha opinião, os livros didáticos de história do Brasil, precisam serem urgentemente reformulados para incluir a verdadeira história do Brasil,não faz mais sentido continuar aprendendo as mentiras dos antepassados porquê o Brasil já deixou de ser colônia a muito tempo.


"Maurício de Nassau A conquista do Nordeste brasileiro, o conde de Nassau, fidalgo alemão a serviço do Kahal,  quando toma o lugar de preposto ou precônsul da colônia judaica de Pernambuco, desembarcou no Recife em 1637. Nassau com a ajuda dos judeus, muitos já habitantes na região e outros que migraram, transformou a paisagem do Recife, canalizando os braços de rio, aplainando o terreno e fazendo erguer-se a cidade Mauricia, sendo concluída a construção da primeira sinagoga das Américas  Zur Israel, no Recife. O prédio, em estilo holandês, tinha 3 pavimentos abrigando 2 lojas,  2 escolas uma piscina com sete degraus - um "mikvê" - utilizada em rituais de banho de purificação e o templo.Kahal Kadosh Zur Israel - Santa Comunidade Rochedo de Israel. Seu primeiro rabino foi o luso-holandês Amsterdammer, Isaac Abaad da Fonseca o primeiro autor da língua hebraica no Novo Mundo, comparável ao de um bairro de uma cidade neerlandesa. A partir de 1635, com a queda do Arraial do Bom jesus, último foco de resistência da região do Rio Capibaribe, a Companhia passou a autorizar a migração de judeus para o Brasil. Em Amsterdam, dezenas pediram permissão para mudar-se para o Brasil. A maior parte deles tinha poucos proventos, pedindo isenção de passagens, imigrando com suas famílias, enquanto outros foram antecedidos por agentes e rapidamente formaram patrimônios em Pernambuco, fossem engenhos, propriedades urbanas, ou direitos sobre arrecadação de impostos. Houve também aqueles que vieram como soldados da Companhia desde 1630 (MELLO, 996,p.217-226).

Este período da invasão de Nassau nas terras tupiniquins, foi marcado pela escravidão do sofrido povo brasileiro. 

A característica mais marcante da escravidão é o fato do escravo ser propriedade de outro ser humano. O escravo é uma “propriedade viva”, sujeita ao senhor a quem pertence. Nesta situação, o escravo é uma coisa, um “bem” objeto.

Durante o  período do governo Nassau, o Ceará também foi marcado  por genocídios:



1645 -15/julho. Ocorre o holocausto do engenho Cunhaú/RN, Os conquistadores não respeitavam nada. Os europeus se julgavam detentores da "civilização" nas terras incultas da América, agiram como se fossem verdadeiros bárbaros... No Rio Grande, do Norte os flamengos resolveram eliminar duas coisas ao mesmo tempo: os portugueses e a religião católica. Os massacres ocorridos foram lutas do dominador para eliminar o povo subjugado.
Percorrendo a região canavieira entre Recife e Natal, o judeu alemão Jacob Rabbi,  à serviço do governo holandês, e um grupo de indios janduís e potiguares, além de soldados holandeses, chegaram ao engenho Cunhaú em 15 de julho de 1645, se apresentou como emissário do Supremo Conselho Holandês de Recife e convocou a população para uma reunião, após a missa do dia seguinte, um domingo, na capela de Nossa Senhora das Candeias. O domingo amanheceu chuvoso e nem todos os moradores compareceram à missa. Os historiadores estimam em 69 pessoas presentes no lugar. Durante a celebração, após a elevação da hóstia, os soldados holandeses trancaram todas as portas da igreja. A um sinal do judeu Jacob Rabbi, os índios invadiram o local e chacinaram os colonos. O Padre André de Soveral, de 73 anos, que celebrava a missa, foi atacado por uma adaga e, depois de morto, feito em pedaços. O Padre André de Soveral é considerado um mártir da Igreja Católica e foi Beatificado, junto com os mártires do massacre de Uruaçú.
onde os flamengos com a ajuda dos índios tapuias, sob às ordens do judeu alemão Jacob Rabbi, mataram cruelmente inúmeras pessoas, inclusive o padre André Soveral, em plena missa na capela de Nossa Senhora das Candeias.

1645 - 03/outubro. Dia do holocausto de Uruaçu/RN,  Depois do massacre em Cunhaú alguns moradores influentes, liderados pelo padre Ambrósio Francisco Ferro, pediram abrigo no Castelo de Keulen. Os que não foram ao Castelo construíram uma paliçada para proteger  a localidade conhecida como Potengi. O número de moradores refugiados na paliçada é incerto. Para os cronistas portuguese eram 70 homens, mas documentos holandeses citam 232 pessoas. 
Capela de Uruaçu,erguida em 1921.  
em homenagem
aos fiéis massacrados pelo

 judeu Jacob Rabbi
As notícias de que uma marcha de índios, tapuias e potiguares, liderados pelo judeu Jacob Rabbi se aproximavam, aumentava o terror dos colonos, que juntaram armas e mantimentos para resistirem a um possível ataque e cerco dos índios e holandeses. "Espantados com o que aconteceu em Cunhaú  alguns colonos "refugiaram-se nas margens do Rio Potengi, três léguas de Natal, erguendo uma defesa murada de madeira rústica "Foi iniciada em setembro pelo grupo de Jacob Rabbi e, depois, contou com reforços enviados pelo Castelo de Keulen, incluindo duas peças de artilharia. O bombardeio eliminou dezenas de homens, e crianças, mulheres estupradas, forçou a rendição dos luso-brasileiros. Os Flamengos despiram nus aos ditos moradores, e os mandaram por de joelhos ( o que eles receberam com muita paciência, e os olhos em Deus ) e logo nos corpos desses mártires, tais mutilações, que são incríveis; e não contentes com elas, os ditos Flamengos os ajudaram a matar, assim arrancando os olhos a uns, e tirando as línguas a outros, e cortando as partes vergonhosas, e metendo-lhas nas bocas (...)" (Cascudo: 1955, p.83) (carta de Lopo Curaro Garro de 1645). 


 — Estes genocidas não pararam por aí: Exterminaram também os sertanistas viventes  no Caldeirão, que o diabo dos coronéis nordestinos latifundiários abominou  no Sertão do Cariri  CE. O Caldeirão, Chapadas do Araripe e Pau de Colher representam os três últimos grandes gritos de liberdade da gente do Nordeste contra latifúndios e burguesia que ainda hoje continuam no poder", diz Bacelar. Assim como Canudos, em 1887/1897, Caldeirão  Pau-de-Colher "devem ser vistos pelo lado sócio-econômico que também tinha sua força religiosa", opina o professor Aristides Braga. As elites e o governo quiseram contar a história desses movimentos sociais escondendo o seu lado objetivo, ou seja, a consciência de classe dos trabalhadores destituídos da terra, vítimas do sistema, e contrários a uma organização social arcaica e ineficiente, erguida nos moldes feudais, como os interesses dos EUA Roosevelt "camuflado como reforma agrária" para conseguir instalar as bases no Nordeste, durante a II Guerra Mundial. 

·        No entanto, a data de hoje, que envergonha a elite cearense da época, passa despercebida Na cabeça do aposentado Antonio Inácio da Silva, a data nunca será esquecida. Inácio, que reside no Sítio Ramado, em cima da Serra do Araripe, é um dos poucos sobreviventes do Caldeirão. Ele, hoje com quase 90 anos, mostrou o local onde aconteceu o massacre. 

DENÚNCIA: SÍTIO CALDEIRÃO, O ARAGUAIA DO CEARÁ – UMA HISTÓRIA QUE NINGUÉM CONHECE PORQUE JAMAIS FOI CONTADA...
·         "As Vítimas do Massacre do Sítio Caldeirão 
têm direito inalienável à Verdade, Memória, 
História e Justiça!" (Otoniel Ajala Dourado)
O MASSACRE APAGADO DOS LIVROS DE HISTÓRIA NO BRASIL NINGUÉM CONHECE PORQUE JAMAIS FOI CONTADA...
·         No município de CRATO, interior do CEARÁ, BRASIL, houve um crime idêntico ao do “Araguaia”, foi o MASSACRE praticado por forças do Exército e da Polícia Militar do Ceará em 10.05.1937, contra a comunidade de camponeses católicos do Sítio da Santa Cruz do Deserto ou Sítio Caldeirão, que tinha como líder religioso o beato "JOSÉ LOURENÇO", paraibano de Pilões de Dentro, seguidor do padre Cícero Romão Batista, encarados como “socialistas periculosos”.
O CRIME DE LESA HUMANIDADE
·         O crime iniciou-se com um bombardeio aéreo, e depois, no solo, os militares usando armas diversas, como metralhadoras, fuzis, revólveres, pistolas, facas e facões, assassinaram na “MATA CAVALOS”, SERRA DO CRUZEIRO, mulheres, crianças, adolescentes, idosos, doentes e todo o ser vivo que estivesse ao alcance de suas armas, agindo como juízes e algozes. Meses após, JOSÉ GERALDO DA CRUZ, ex-prefeito de Juazeiro do Norte, encontrou num local da Chapada do Araripe, 16 crânios de crianças.
A AÇÃO CIVIL PÚBLICA AJUIZADA PELA SOS DIREITOS HUMANOS
·         Como o crime foi praticado pelo Exército e pela Polícia Militar do Ceará É de LESA HUMANIDADE / GENOCÍDIO é IMPRESCRITÍVEL pela legislação brasileira e pelos Acordos e Convenções internacionais, por isto a SOS - DIREITOS HUMANOS, ONG com sede em Fortaleza - CE, ajuizou em 2008 uma Ação Civil Pública na Justiça Federal contra a União Federal e o Estado do Ceará, requerendo que: a) seja informada a localização da COVA COLETIVA, b) sejam os restos mortais exumados e identificados através de DNA e enterrados com dignidade, c) os documentos do massacre sejam liberados para o público e o crime seja incluído nos livros de história, d) os descendentes das vítimas e sobreviventes sejam indenizados no valor de R$500 mil reais, e) outros pedidos
A EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO DA AÇÃO
·         A Ação Civil Pública foi distribuída para o Juiz substituto da 1ª Vara Federal em Fortaleza/CE e depois, redistribuída para a 16ª Vara Federal em Juazeiro do Norte/CE, e lá foi extinta sem julgamento do mérito em 16.09.2009.
AS RAZÕES DO RECURSO DA SOS DIREITOS HUMANOS PERANTE O TRF5
·         A SOS DIREITOS HUMANOS apelou para o Tribunal Regional da 5ª Região em Recife/PE, argumentando que: a) não há prescrição porque o massacre do Sítio Caldeirão é um crime de LESA HUMANIDADE, b) os restos mortais das vítimas do Sítio Caldeirão não desapareceram da Chapada do Araripe a exemplo da família do CZAR ROMANOV, que foi morta no ano de 1918 e a ossada encontrada nos anos de 1991 e 2007; 
A SOS DIREITOS HUMANOS DENUNCIA O BRASIL PERANTE A OEA
·         A SOS DIREITOS HUMANOS, igualmente aos familiares das vítimas da GUERRILHA DO ARAGUAIA, denunciou no ano de 2009, o governo brasileiro na Organização dos Estados Americanos – OEA, pelo desaparecimento forçado de 1000 pessoas do Sítio Caldeirão.
QUEM PODE ENCONTRAR A COVA COLETIVA
·         A “URCA” e a “UFC” com seu RADAR DE PENETRAÇÃO NO SOLO (GPR) podem encontrar a cova coletiva, e por que não a procuram? Serão os fósseis de peixes procurados no "Geopark Araripe" mais importantes que os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO?


—  Os expropria-dores coronéis da região, ricos fazendeiros, latifundiários, oligarcas, eram detentores de grandes fortunas, ostentavam fabulosos patrimônios que incluíam: terras, casarões, gado, engenhos, trabalhadores em regime escravo e até  políticos amestrados. Delegados e juízes também podiam ser considerados propriedades de alguns desses senhores da vida e da morte. Nesse contexto, prosperava uma comunidade formada por pessoas que ali chegaram arrastando corpos desnutridos, expressando abatimento moral e desesperança, como em "Retirantes", quadro de Cândido Portinari

— Na Serra do Araripe no Caldeirão as forças de repressão usaram aviões para bombardear aquele grupo de sertanistas resistentes, armados de peixeiras, foices, facões e espingardas de caça. A Polícia Militar do Ceará e o Exército destruíram a vila e enterraram milhares de mortos em valas comuns.
— Caldeirão, ao contrário de Canudos, não ofereceu resistência, exceto alguns gestos isolados de defesa e proteção pessoal sob impulsos do instinto de sobrevivência. Quando da invasão, os armazéns da comunidade encontravam-se abarrotados de algodão, milho, feijão, arroz, rapadura e farinha. Havia máquinas e objetos importados. Tudo foi destruído, inclusive as novas plantações e criatórios de animais. As mulheres foram estupradas, e os objetos pessoais de valor foram levados como prêmios de guerra.

Em 11 de maio de 1937, um ruído no céu da chapada do Araripe assustou os camponeses. Com medo, eles tentavam se esconder entre as árvores enquanto máquinas voadoras deslizavam pelos ares daquela região do Cariri, no sul do Ceará. Homens, mulheres e crianças fugiam de algo que, com certeza, viam pela primeira vez. O desespero foi ainda maior quando os aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) começaram a metralhar. Muitos ali devem ter sussurrado o derradeiro pai-nosso. Outros nem tiveram tempo para tanto.
  • O fato real: o bombardeio não foi feito sobre as casas da comunidade do Caldeirão, que na época já estava destruído, mas sobre um grupo de cerca de mil seguidores do beato José Lourenço que estavam refugiados na Serra do Araripe, onde, indefesos, foram massacrados por uma esquadrilha composta de três aviões, que metralharam e bombardearam-nos impiedosa mente... Foi exatamente para tentar corrigir tão disparatadas e errôneas interpretações sobre o fenômeno da comunidade camponesa do Caldeirão, que consideramos de significativa importância, para uma melhor compreensão do papel histórico das massas de camponeses miseráveis do sertão nordestino, que resolvemos sintetizar a trágica história de Santa Cruz do Deserto.



― Quarenta anos após o massacre dos sertanejos liderados por Antônio Conselheiro, em Canudos, na Bahia, e 20 anos depois da Guerra do Contestado, episódio com desfecho semelhante ocorrido nos estados do Paraná e de Santa Catarina, as tropas de diferentes esferas do poder público novamente uniam forças para abater humildes agricultores brasileiros.



― Desta vez as vítimas pertenciam à comunidade do sítio Caldeirão, cujo líder era o beato José Lourenço.
Naquele dia, a polícia militar do Ceará e os aviões enviados pelo Ministério da Guerra exterminaram nordestinos religiosos e pacíficos que por dez anos tinham buscado apenas uma forma de sobreviver às mazelas da vida sertaneja: seca, fome, coronelismo
  • Em 21 de março de 2005, o Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural do Ceará (Coepa) tombou uma área de 60 hectares pertencente ao núcleo do que um dia foi o sítio Caldeirão. Com isso, o governo estadual tenta corrigir um erro histórico, reconhecendo a importância do episódio em que migrantes, principalmente do Rio Grande do Norte, viveram uma utopia de igualdade e auto-suficiência baseada na fé cristã. A medida, porém, não pode reparar a morte das centenas de patriotas  fiéis e  seguidores de José Lourenço, discípulo do padre Cícero.

Formação
Assim como em Canudos, população do Caldeirão era formada por sertanejos que viam o misticismo como única alternativa para a sobrevivência no semi-árido (foto:reprodução)

Longe do litoral nordestino, um emaranhado de crenças - cristãs e pagãs - caracterizava a religiosidade popular das terras secas nas primeiras décadas do século 20. Sem contar com assistência do Estado e da Igreja para enfrentar as dificuldades de sobrevivência, os sertanejos tinham poucas opções, como o cangaço, o trabalho semi-escravo nos latifúndios dos coronéis ou o misticismo. Assim, Virgulino Ferreira da Silva se tornou o "Lampião". E Antônio Vicente Mendes Maciel, o "Conselheiro".

A alternativa da fé era encabeçada por profetas populares, que viam a miséria como um "castigo de Deus" e encorajavam a prática de penitências como forma de obter a salvação. Para eles, as mazelas do nordeste eram sinais de que o fim do mundo estava próximo e, portanto, não tardaria a grande viagem ao paraíso divino.

Quando deixou seu lar para trabalhar em fazendas de gado próximas à ua cidade, no estado da Paraíba, José Lourenço Gomes da Silva era ainda jovem. Ao retornar para casa, após anos de ausência, soube que seus pais haviam mudado para Juazeiro do Norte, no Ceará - lugar que se tornara um pólo de atração devido à fama do padre Cícero.


Em 1890, já novamente ao lado de sua família, José Lourenço acabou conquistando a amizade do famoso sacerdote. Depois de viver alguns anos nas proximidades de Juazeiro e de integrar algumas seitas de penitentes - pessoas que rezavam em cemitérios pelas almas do purgatório e que praticavam autoflagelação para se purificar dos pecados -, o paraibano arrendou o sítio Baixa Dantas, onde formou uma comunidade. De 1894 a 1926, ali foi desenvolvida sua primeira experiência de trabalho coletivo igualitário.

1894 até 1946, José Lourenço liderou arraiais onde 
se uniam os menos favorecidos (foto:reprodução)


Enxada na mão, José Lourenço e seus companheiros enfrentaram o desafio imposto pelo terreno pedregoso e passaram a cultivar frutas, cereais, algodão e hortaliças. A comunidade crescia à medida que muitas famílias chegavam a Juazeiro - a "meca sertaneja" - sem ter trabalho ou moradia e eram encaminhadas pelo padre Cícero aos cuidados do beato.

Apesar dos progressos no Baixa Dantas, a vida dos moradores do lugar não foi isenta de percalços. Em 1921, surgiu o boato de que o boi doado pelo padre Cícero para melhorar a raça do gado local estava sendo adorado pela comunidade. Floro Bartholomeu, chefe militar de Juazeiro, prendeu José Lourenço por 18 dias e matou o boi, num ato denominado por ele de "combate ao fanatismo". Anos depois, o beato enfrentaria outra situação intrincada. O sítio em que a comunidade vivia foi vendido, e o novo proprietário expulsou os camponeses sem qualquer indenização.

Diante desse problema, o padre Cícero encaminhou José Lourenço e seus seguidores à sua fazenda Caldeirão dos Jesuítas. A aridez do lugar, limitado ao norte pela caatinga e ao sul pela floresta do Araripe, não desanimou o hábil grupo de lavradores que havia De trabalhado por 32 anos no Baixa Dantas. Tocado como um projeto coletivo, logo o Caldeirão começou a se transformar.

Famílias de todo o nordeste, a maioria proveniente do Rio Grande do Norte, passaram a viver de trabalho e oração naquele pequeno terreno de 500 hectares no interior do Ceará, que chegou a comportar 2 mil pessoas. Ali tudo era feito em sistema de mutirão, e imperava a cooperação. As obrigações eram divididas e os benefícios distribuídos conforme as necessidades de cada um.

Sem coronéis para explorar a mão-de-obra, os camponeses experimentaram sopros de liberdade. A paraibana Maria Inácia tinha 10 anos quando morou no Caldeirão, lugar que recorda com um olhar saudoso: "Era o mesmo que um céu aberto. Logo que amanhecia, meu padrinho Lourenço era o primeiro a sair para a lida. Nós tomávamos café ali mesmo, na roça. Às 9 horas vinha uma carga de rapadura para merendar, e às 11 chegavam as cozinheiras com o almoço. Na roça, tudo o que se planta, lá a gente plantava", lembra enquanto mostra orgulhosa as fotos dos "padrinhos" Cícero e José Lourenço, penduradas na parede da sala.

Relatos como o de Maria Inácia são freqüentes entre antigos membros da irmandade formada no Caldeirão. Todavia, essa memória positiva só é possível porque houve um grande empenho no passado. Após os primeiros anos de adaptação, as atividades foram diversificadas e a comunidade caminhou para a auto-suficiência, produzindo quase tudo de que precisava: desde roupas e sabão até panelas, copos e baldes. Para tanto, os artesãos, carpinteiros e ferreiros utilizavam matéria-prima local. Os tecidos, por exemplo, eram feitos com algodão cultivado na própria fazenda. O que não conseguiam obter ali era comprado nas cidades próximas.
Durante seis anos se trabalhou na construção da Capela de Santo Inácio de Loyola, que foi abandonada inacabada em 1936

Para os membros da comunidade, era importante que houvesse uma igreja onde pudessem praticar a religião tradicional. Apesar de nunca terem recebido a visita de um sacerdote, ainda que tivesse sido solicitado, no começo da década de 1930 um mestre-de-obras foi convidado a ajudar na construção da Capela de Santo Inácio de Loyola, na parte central do Caldeirão. A expulsão dos camponeses, porém, ocorrida cinco anos depois, impediu que a obra fosse concluída. Hoje, restaurada pela prefeitura do Crato, a igrejinha é um dos principais marcos históricos do sítio.

Dentre as virtudes da comunidade do Caldeirão, também conhecida como Irmandade de Santa Cruz, a caridade sobressaiu durante a seca de 1932. Constantes no semi-árido nordestino, duas grandes estiagens forçaram os sertanejos a migrar para o litoral nas primeiras décadas do século passado. Para controlar a "invasão de flagelados" na de 1915, o governo do Ceará construiu o Campo de Refugiados do Alagadiço, onde uma epidemia de varíola matou boa parte dos reclusos. Em 1932, com a intenção de manter os retirantes longe de Fortaleza, os órgãos públicos intensificaram as medidas de contenção. Assim, ergueram sete campos de concentração - ou "currais", na linguagem popular - distribuídos pelas linhas férreas do estado.

Enquanto os dois campos próximos da capital reuniram cerca de 5,5 mil pessoas, o de Buriti, no Crato, que tinha capacidade para no máximo 5 mil, aglutinou por volta de 18 mil. Segundo a historiadora Rosângela Martins, durante a seca de 1932 os refugiados de Buriti foram vigiados rigorosamente por sentinelas. Havia ali até mesmo uma prisão interna para os desobedientes. Por causa da desnutrição e de doenças, "morria gente todos os dias, e um caminhão passava recolhendo os corpos no final da tarde para jogá-los em valas na parte alta do campo", afirma Rosângela.

Alguns retirantes tiveram sorte e conseguiram driblar o Campo de Buriti e chegar até o Caldeirão, onde as atividades corriam normalmente, já que mesmo nos anos de estiagem não faltava comida. José Lourenço solidarizou-se com os sertanejos e integrou à sua comunidade pelo menos 500 pessoas que pediram auxílio.

Exemplo ecológico
O termo "caldeirão", antes de dar nome ao sítio que abrigou a irmandade liderada pelo beato José Lourenço, já designava uma falha geológica formada por pedras que se enchiam de água do riacho que por ali passava. Essa estrutura natural foi muito importante para o desenvolvimento da comunidade, porque a água ficava acumulada no "caldeirão" mesmo em tempos de seca.

O clima na região do Cariri é semi-árido, com chuvas concentradas nos quatro primeiros meses do ano. Depois desse curto período, nem uma gota cai do céu. Por isso o desafio maior para o pessoal do sítio era irrigar as plantações, uma vez que o solo não possibilitava a retenção de água.
Para o geógrafo Arlindo Siebra, a comunidade era um exemplo de bom uso dos recursos naturais
"Como é possível sustentar toda uma comunidade dependendo de um solo que tem restrições agrícolas? O grande mérito do beato foi exatamente este: ele soube utilizar os recursos e os ecossistemas do semi-árido", afirma o geógrafo Arlindo Siebra. Além do modus vivendi igualitário, o Caldeirão foi um exemplo ecológico para o nordeste. 

Segundo Siebra, a comunidade construiu várias microbarragens e dois açudes. Faziam também um tipo de cisterna, que cobriam para evitar a evaporação, armazenando a água no subsolo.

Outra característica importante frisada por Siebra era o não-desmatamento da "coroa da serra" - como são chamadas as partes mais altas da fazenda. Normalmente os agricultores trabalham com rotação de culturas, ou seja, queimam a vegetação para adubar o solo e depois plantam durante cerca de três anos. Posteriormente, abandonam a área - deixam a vegetação brotar de novo, o que chamam de "encapoeiramento" - para repetir o processo após três ou cinco anos. A falta de espaço, porém, impedia José Lourenço de fazer as rotações.

Segundo Siebra, o beato "só plantava abaixo da `coroa da serra`, e apenas em um trecho por ano, passando depois para outro. Como a cobertura vegetal da coroa permanecia intacta, quando chovia as sementes eram dispersadas de cima para baixo. Dessa maneira, utilizando a força da gravidade, a área encapoeirava mais rápido que um terreno plano". Com esse manejo agrícola, somado à criação de peixes e de gado, as quase 2 mil bocas da irmandade não sentiam falta de comida.

Expulsão
A amizade com Padre Cícero garantiu por décadas a segurança de José Lourenço
Se no Baixa Dantas os camponeses perderam o direito à terra e tiveram de sair às pressas, no Caldeirão não foi diferente. Aliás, pior. José Lourenço não era considerado pelas elites do Ceará um simples beato analfabeto e inofensivo, mas um perigoso líder capaz de articular grandes levantes contra a ordem pública. O principal problema apontado era a organização da comunidade, que as oligarquias tachavam de comunista.

As autoridades, na verdade, queriam o fim do Caldeirão, mas havia um problema: a ligação entre o beato José Lourenço e o padre Cícero. Brigar com o "Padrinho" não valia a pena, em hipótese alguma.

No entanto, com a morte do Padim Ciço, aos 90 anos,  seus bens passaram a pertencer aos  Salesianos (integrantes de uma ordem religiosa nomeados pelo Padre Cícero desde 1923 como seus herdeiros). E, dentre os bens que formavam a considerável fortuna deixada pelo patriarca de Juazeiro do Norte, estava, a fazenda Caldeirão.

Por outro lado, Padim Ciço era amigo do peito de vários latifundiários da região, conhecidos como "os coronéis". Esses senhores ilustres eram opressores dos pobres, marginalizavam os sertanejos, excluindo-os do direito à saúde, aos alimentos e até à vida. Pasme, o Padim Ciço pertencia a essa espécie de liga de coronéis do Ceará e a defendia .  O Padim chegou a estimular seus devotos a serem mão-de-obra barata na construção de açudes e na colheita de algodão nas terras da família Accioly, a mais poderosa do Ceará O "coronelismo" era a política exercida pelos latifundiários com prestígio político local, que tinham notável poder, mandavam na região e nos seus eleitores, que eram tratados como gado. Suas zonas eleitorais eram conhecidas como "currais eleitorais" e ai do eleitor que ousasse votar contra o candidato do "coronel". 
  • Quando Hermes da Fonseca, então presidente da República, enviou interventores ao Ceará e depôs as oligarquias repressoras lideradas por esses coronéis, o Padre Cícero ficou irado. Em 4 de outubro de 1911, Padre Cícero e outros dezesseis líderes políticos da região firmaram um acordo de cooperação entre si e apoio ao governador Antônio Pinto Nogueira Accioly. Tal evento ficou conhecido como pacto dos coronéis e representa um marco na história do coronelismo brasileiro.
  • No ano seguinte, o então presidente da República Hermes da Fonseca depôs o governador Nogueira Accioly e nomeou o coronel Marcos Franco Rabelo como interventor do Ceará. Houve eleição apenas para vice-governador onde Padre Cícero foi o escolhido. Depois de assumir o posto, Franco Rabelo rompe com o Partido Republicano Conservador (PRC) e passa a perseguir Padre Cícero, chegando a destituí-lo da prefeitura de Juazeiro e a mandar um batalhão da Polícia estadual prender o padre. Então, o médico Floro Bartolomeu (braço direito do padre) e Aureliano Pereira, reúnem seus jagunços e os romeiros da cidade para proteger Padre Cícero.  Em apenas uma semana, os romeiros cavaram um valado de quinze quilômetros de extensão cercando toda a cidade e ergueram uma muralha de pedra na colina do Horto, a fortificação recebeu o nome de "Círculo da Mãe de Deus"   Eta! Esse Ciço eim.. 
 Rapidamente o clero católico promoveu e assinou o chamado "pacto dos coronéis" com dezessete dos principais chefes políticos da região do Cariri, objetivando assegurar a permanência da família Acioly no governo cearense. E mais: esses fazendeiros armaram centenas de sertanejos e os enviaram à capital, porém foram detidos pelas forças federais. Esse episódio ficou conhecido na história como a "Revolta do Juazeiro".


O Padim Ciço só aquietou-se quando a velha oligarquia da família Accioly foi restabelecida ao poder. O Padre Cícero Romão foi, sem dúvida, um exemplo de fidelidade às oligarquias poderosas do Ceará.
— Os Salesianos queriam o Caldeirão com todas as benfeitorias e expulsar todos sem, obviamente, ressarci-los por tudo que fizeram na terra. Para os trâmites legais do ato, contrataram o advogado Norões Milfont.

Por essa razão, o beato José Lourenço teve de começar a pagar tributos aos novos proprietários pelo usufruto da terra. Segundo José Tavares de Lira, filho e neto de ex-moradores do Caldeirão, seu pai sempre levava uma tropa de burros carregada de gêneros para os salesianos. Contudo, em 1936, o advogado Raymundo Norões Milfont, representante jurídico dos padres, solicitou reintegração de posse.

No mesmo ano 1936, a cidade de Fortaleza sediou uma reunião de representantes de seis instituições: diocese do Crato, ordem dos padres salesianos, Liga Eleitoral Católica, polícia política (Deops), polícia militar e governo do Ceará. Os presentes ouviram relatos do capitão José Bezerra, da polícia militar, que, em busca de um pretexto para a invasão, havia espionado a comunidade para ver se ali havia armas. O oficial não as encontrou, mas disse que as forças públicas precisavam agir "com rapidez fulminante, para evitar a possibilidade de uma reação premeditada", pois havia muita gente no arraial.
moradores do caldeirão

As autoridades temiam resistência semelhante à de Canudos, onde o exército brasileiro fora seguidas vezes derrotado, até que, em 1897, promoveu o massacre de milhares de camponeses. Alegaram também o risco de o Caldeirão resvalar para as mãos de líderes marxistas, já que no final de 1935 Luís Carlos Prestes tinha comandado a Intentona Comunista, cujo primeiro levante havia ocorrido no Rio Grande do Norte.

No dia 11 de setembro de 1936, as forças do Estado invadiram o Caldeirão. Coturnos de policiais civis e militares entraram marchando, mas não encontraram o beato José Lourenço, que havia fugido para a floresta da chapada do Araripe, onde ficou escondido até o início de 1938. Lá ele tomou o cuidado de não fixar residência, vivendo de forma nômade em construções de palha improvisadas, alimentando-se de frutas silvestres e, por vezes, de gêneros doados por amigos de fazendas próximas. No dia da invasão, porém, o capitão Cordeiro Neto ficou confuso sobre a atitude a tomar diante das mais de 400 casas de taipa. Optou pela devastação: expulsou os moradores, queimou os casebres e entregou parte dos bens ao município do Crato. "A polícia chegou lá e acabou com tudo. Levaram o que havia no armazém, e até as portas da casa do beato", conta José Lira.

Homens de confiança de José Lourenço foram presos e conduzidos a Fortaleza. Retornaram ao Crato após 14 dias e encontraram pessoas da comunidade vivendo no pé da serra da Conceição, nas entranhas do Araripe, sob constantes maus-tratos das autoridades, que permaneciam em alerta. No depoimento dado ao pesquisador Régis Lopes, Eleutério Tavares, morador influente do Caldeirão, comentou a ação policial: "Lá, bateram em pessoas, fizeram gente engolir rosário na ponta da baioneta. Só não fizeram matar mesmo".

No início de 1937, as autoridades do Ceará receberam denúncias sobre o pessoal de José Lourenço, que após a dissolução da comunidade vivia clandestina mente nas matas da chapada do Araripe. Corriam boatos de que ex-integrantes do Caldeirão, chefiados pelo mensageiro Severino Tavares, atacariam o Crato. Ciente disso, o capitão Bezerra e 11 soldados da polícia de Juazeiro foram até lá para checar as informações e entraram em conflito com um grupo de camponeses. Nesse embate, morreram o capitão e três praças. Do outro lado, foram cinco perdas, entre elas, Severino.

Após a divulgação daquele conflito, fortes contingentes militares partiram de Fortaleza à caça dos remanescentes do Caldeirão, determinados a vingar a morte do capitão Bezerra. O ministro da Guerra, general Eurico Gaspar Dutra, colocou a força federal à disposição do governo cearense e autorizou o vôo de três aparelhos do Destacamento de Aviação, sob responsabilidade do capitão José Macedo, para auxiliar no reconhecimento da zona e localização dos camponeses.

Dos aviões, as metralhadoras dispararam, enquanto 200 patrulheiros vasculhavam a chapada do Araripe para concluir a missão. Naquele 11 de maio de 1937, centenas de lavradores foram massacrados. 

Nenhum soldado morreu. Mesmo depois da "grande investida" militar, policiais continuaram a perseguir, prender, torturar e matar pessoas que se vestissem de preto e portassem rosário - as características dos seguidores do beato.

Em 1938, José Lourenço retornou ao sítio Caldeirão e ali permaneceu por dois anos, até ser novamente expulso pelo procurador dos padres salesianos, proprietários da fazenda. Seguiu então para Exu, no lado pernambucano da chapada, onde montou outra comunidade, no sítio União, comprado com os 7 contos de réis recebidos como indenização por uma parte dos bens do Caldeirão. O advogado do beato tentou mover uma ação contra o Estado para recuperar a totalidade das perdas do arraial, todavia o pedido não foi atendido.

José Lourenço morreu em 12 de fevereiro de 1946 no sítio União, vítima de peste bubônica. Seguidores carregaram o caixão com seu corpo, a pé, de Exu até Juazeiro do Norte, num percurso de 70 quilômetros. Depois da longa e cansativa jornada, o corpo do beato foi velado na casa de Eleutério Tavares. Em seguida, os fiéis solicitaram uma missa a monsenhor Joviniano Barreto, porém o vigário não apenas recusou o pedido, como proibiu a entrada do esquife na capela: "Eu não celebro missa para bandido", alegou o sacerdote.

Após serem rejeitados na "casa de Deus", e debaixo da chuva que caía em Juazeiro do Norte, os amigos do beato fizeram o sepultamento no Cemitério do Socorro, ao lado da igreja homônima. A estudante de pedagogia Ana Izabel Tavares é quem atualmente cuida do jazigo, onde estão até hoje as imagens de santos que tinham sido importadas da Alemanha para a Capela de Santo Inácio de Loyola.


Meses após, JOSÉ GERALDO DA CRUZ, ex-prefeito de Juazeiro do Norte, encontrou num local da Chapada do Araripe, 16 crânios de crianças.


Patrimônio do Padim Ciço
A estrada de terra esburacada dificulta o acesso ao Caldeirão, situado no município do Crato, entre os distritos de Monte Alverne e Dom Quintino. Em 1998 o ex-secretário municipal de Cultura Rosemberg Cariry apresentou projeto com o objetivo de transformar o sítio num grande parque histórico, com museu e anfiteatro para eventos ligados à cultura popular. No mesmo ano, a prefeitura do Crato comprou a parte central do terreno onde viveu a irmandade liderada pelo beato José Lourenço e reformou a Capela de Santo Inácio de Loyola, colocando portas novas, pois as originais haviam sido roubadas na invasão policial de 1936.

Atualmente a única família residente no sítio é a do agricultor Raimundo Batista. Embora não seja remanescente da antiga comunidade, ele sabe que ali havia fartura, ao contrário do que acontece hoje, pois mal consegue garantir a própria subsistência: "Isto aqui era um Caldeirão vivo, hoje é um Caldeirão morto", lamenta. O isolamento só é quebrado pelas romarias de setembro ou quando aparecem pesquisadores para examinar as ruínas da fazenda.
O "caldeirão", que garantia o abastecimento da comunidade mesmo nos tempos de seca, está cada vez mais raso devido ao assoreamento
A cruz ao lado da capela, por exemplo, indica o cemitério. Mais adiante fica o "caldeirão" de pedras, onde os filhos de Raimundo aproveitam para nadar e fugir do calor da caatinga. Segundo Arlindo Siebra, o "caldeirão" está passando por um processo de assoreamento, ou seja, perdendo profundidade. Isso indica que mesmo após o Coepa ter ratificado a importância do sítio, em março deste ano, ainda faltam medidas de manutenção. Pouco a pouco os vestígios históricos, como a casa do beato José Lourenço, estão desaparecendo.

Esse estado de abandono já ficou patente em 1991, quando agricultores ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) ocuparam o terreno do Caldeirão. Após negociarem com o governo do Ceará, eles saíram e foram encaminhados para as fazendas Gerais e Carnaúbas, a 12 quilômetros dali, onde fundaram a Associação 10 de Abril, que no momento engloba 46 famílias. "Se não fosse a ocupação, a maioria das pessoas teria de trabalhar nas fazendas. Aqui a gente pode ficar livre dos pés dos patrões", afirma Antônio Gomes, professor do ensino fundamental na escolinha do assentamento. Para ele, o exemplo do Caldeirão continua presente como símbolo de liberdade.

Pesquisa
Graças aos esforços dos pesquisadores, hoje é possível conhecer inúmeros detalhes da história do Caldeirão. Filho de romeiros, nascido em Juazeiro do Norte, o sociólogo Domingos Sávio Cordeiro ouviu na infância muitos "causos" sobre o beato José Lourenço: "Eram sempre em forma de anedotas maliciosas ou mistificadas", lembra. Para escrever um trabalho recente sobre o Caldeirão, o professor da Universidade Regional do Cariri (Urca) consultou dezenas de jornais da época e entrevistou ex-moradores da antiga comunidade: "Falando com algumas pessoas que conviveram com o beato, ou ao menos o conheciam, ouvi relatos muito distintos. Seria pouco querer buscar uma única verdade dos fatos, então passei a investigar as versões, o que diziam, que mundo construíam". Com o livro Um Beato Líder - Narrativas Memoráveis do Caldeirão, publicado em 2004, Sávio Cordeiro dá continuidade a um rol de pesquisas científicas iniciadas na década de 1960 por Rui Facó (Cangaceiros e Fanáticos) e Maria Isaura Pereira de Queiroz (O Messianismo no Brasil e no Mundo).

A história da comunidade liderada pelo beato José Lourenço foi também contada em vídeo. No final de 1986, estreou em Fortaleza o documentário O Caldeirão de Santa Cruz do Deserto, de Rosemberg Cariry. Ali estão registrados depoimentos de pessoas direta ou indiretamente envolvidas com os fatos, tanto do lado dos camponeses como das autoridades. "A memória está viva, e devo dizer que, do que fiz, não tenho nada de que me arrepender", declara o ex-chefe de polícia, na época da filmagem general da reserva, Cordeiro Neto, que comandou respectivamente a expulsão de 1936 e a ação militar de 1937.

Já o ex-inspetor de polícia e ex-delegado de Ordem Política e Social José Góes de Campos Barros afirma ter reconhecido a falsidade das denúncias que, na época, motivaram a ação de despejo: "Acho que a imagem que se fez do Caldeirão sofreu muitas distorções. Não havia nenhuma intenção bélica da parte dos sertanejos, senão nem sei como é que teria sido. A impressão que tivemos foi de muita ordem, todos estavam bem alimentados, trabalhavam e tudo era distribuído equitativamente, segundo pudemos constatar".

O jornalista Hildebrando Espínola, por sua vez, enfatiza a ilegalidade da invasão policial: "Trata-se de um crime múltiplo contra o Caldeirão. Primeiro, porque foi executada uma reintegração de posse sob proteção militar, com equipamento armado do Estado, para proteger interesses particulares e sem a menor figura de juízo. Segundo, porque o Estado pura e simplesmente entendeu de limitar a liberdade de fé religiosa".

Vale lembrar que a Universidade Regional do Cariri – URCA, poderia utilizar sua tecnologia avançada e pessoal qualificado, para, através da Pró-Reitoria de Pós Graduação e Pesquisa – PRPGP, do Grupo de Pesquisa Chapada do Araripe – GPCA e do Laboratório de Pesquisa Paleontológica – LPPU encontrar a cova coletiva, uma vez que pelas informações populares, ela estaria situada em algum lugar da MATA DOS CAVALOS, em cima da Serra do Araripe.


Frisa-se também que a Universidade Federal do Ceará – UFC, no início de 2009 enviou pessoal para auxiliar nas buscas dos restos dos corpos dos guerrilheiros mortos no ARAGUAIA, esquecendo-se de procurar na CHAPADA DO ARRARIPE, interior do Ceará, uma COVA COM 1000 camponeses.
Então qual seria a razão para que as autoridades não procurem a COVA COLETIVA das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO? Seria descaso ou discriminação por serem “meros nordestinos católicos”?(Reportagem  revista Problemas Brasileiros João Mauro Araujo ).
  • José Américo de Almeida  em novembro de 1930 foi nomeado Ministro da Viação do Governo Provisório,  nascido em 1887 na cidade de Areia, no interior da Paraíba, cargo que ocupou até 1934. Como Ministro e "do norte" nada fez pelos flagelados do Ceará.  José Américo de Almeida agiu da mesma maneira como fez no levante de Princesa, provocada por todos os coronéis do açúcar e do algodão na Paraíba, José Américo nomeado Secretário de Segurança, partiu para o interior, a fim de chefiar a luta contra os rebeldes; - aonde existiu rebeldes? defendeu sim, a saga  dos coronéis,  entre outros fatores que contribuíram para o agravamento da situação, logo após esse acontecimento, o presidente da Paraíba João Pessoa foi assassinado. E pior, em 1964, José Américo de Almeida deu apoio ao golpe militar planejado pelos EUA, que depôs o presidente João Goulart e instalou o novo período ditatorial no país.
Quem olha somente a casca das coisas continuam a papaguear que a República foi obra dos militares quando deles se aproveitaram as forças secretas. A infecção do bacharelismo bucheiro criou no Brasil o drama do Exército: primeiro, a sua estagnação no positivismo esterilizante; depois, a tragédia da inquietação do militar sem a doutrina social afastada e incompreendido, rebentado em explosões, sem fito, que um século após a criação dos cursos jurídicos se repetirão com assustadora, freqüência de 1922 em diante. A semente do mal foi plantada em 1828. Regou-se a Bucha (Burschenchaft paulista,  e Tugenbund de Olinda) com o maior cuidado. Quem plantou e quem regou sabia bem o que estava fazendo e sabia por que e para que. Os magistrados algemados às maçonarias e buchas não podem, em verdade obedecer a Lei, porque juraram obediência a uma outra lei e esta secreta, porque estão presos às injunções dos corrilhos de que valerem para galgar as posições. Todos os sofismas lhe são permitidos; desde que sejam em benefícios de seus irmãos. (5)



COMISSÃO DA VERDADE 
  • A SOS DIREITOS HUMANOS busca apoio técnico para encontrar a COVA COLETIVA, e que o internauta divulgue esta notícia em seu blog, e a envie para seus representantes na Câmara municipal, Assembléia Legislativa, Câmara e Senado Federal, solicitando um pronunciamento exigindo do Governo Federal - Exército que informe o local da COVA COLETIVA das vítimas do Sítio Caldeirão. (SOS DIREITOS HUMANOS Said),
Consultas:
4 –Gustavo Barroso – História Secreta do Brasil Vol. I, Cap.I, Brasil e a Baviera, pg. 2.
5 –Gustavo Barroso -  História Secreta do Brasil Vol.II, Cap.XVII, pg.81-82-84.

4 comentários:

Márcia Regina disse...

Marilda, ano passado esbarrei por acaso com esse episódio, na net. Cheguei a mandar um e-mail para eles(aqueles que divulgam o genocídio ) para saber se a corja de judeus sionistas que dominam há séuclos o norte e nordeste do Brasil, tinham algo haver com o genocídio,mas a resposta foi um tanto confusa, e não falaram sobre isso mas terminaram com uma pergunta que deixou algo no ar. Me perguntaram : O que você acha? Aí vejo isso aqui no seu blog, e agora pergunto tem ou não haver com essa elite? Sabe porque pergunto isso? Você sabia que os judeus sionistas europeus tinham e tem influência no Vaticano, infiltrando nele judeus para padres e até papas? O tal do padim ciço era um deles.

Ivo S. G. Reis disse...

Marilda, Marilda, que história forte, bem contada e bem documentada!... Como você conseguiu tudo isso? Parabéns, foi um esforço hercúleo.

Há muito o que comentar aqui e o que extrair dessa história verdadeira e ao mesmo tempo macabra. Mas para não me estender demais, vou destacar o aspecto que considero mais importante: o da opressão dos mais fracos pelos mais fortes, com a cumplicidade histórica da igreja apoiando a política e os poderes dominantes.

A hipocrisia religiosa e a enganação e domínio que promove sobre os mais fracos e menos esclarecidos, chega a ser covarde e revoltante.

Se quiser, republique esse artigo em qualquer um dos sites da "Rede DDD". Isto precisa ser divulgado. O que conhecemos sobre o episódio é apenas superficial e não tão ricamente detalhado como em seu texto.

Parabéns, parabéns, parabéns!

João Cirino Gomes disse...

Seria bom se tivesse um historiador interessado em contar a verdade sobre a nossa independência; pois a que esta ia e nos ensinam nas escolas com certeza é mentirosa! Contam-nos que rei de Portugal estava saqueando o Brasil! E quando a ouve a revolução seu filho deu o grito de independência? Pensem bem só idiota para acreditar nisso!
Na verdade o pai passou o poder para o filho e molhou a mão de alguns pelegos traidores, e a população continuou a ser escravizada e explorada como acontece hoje em dia!

Marilda Oliveira disse...

O geofísico Ruy Bruno Bacelar de Oliveira disse: Quem está contando a história brasileira é a mídia. Diariamente ela molda o mundo à sua maneira, e passa ao grande publico a história de acordo com seus interesses. Na verdade, existe um "governo invisível " de notícias controlado pelas grandes redes mundiais de televisão e pelas agências internacionais de notícias. O cidadão, ao acordar e sair para o trabalho, vê o mundo pelos olhos deste governo, cujo objetivo principal é a realização dos fins econômicos e políticos do neocapitalismo.

A memória nacional está sendo enevoada. Estão passando uma esponja sobre o passado e contando a história à maneira dos interesses econômicos das classes privilegiadas. Estamos vivendo uma "idade das trevas". desde que o passado deixou de lançar sua luz sobre o futuro, a mente do homem vagueia nas trevas", escrevia Alexis de Toqueville.

Dizia Hannah Arendt que a luta contra o poder é a luta da memória contra o esquecimento.