segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

D. Pedro II o exílio e a trama da República

Como se deu o golpe militar de 1889?

Os conspiradores espalharam a falsa notícia de que o visconde de Ouro Preto pretendia  prender o marechal Deodoro da Fonseca e Benjamim Constant e estes organizaram uma “quartelada”. As propostas de Ouro Preto foram vetadas pela maioria conservadora que constituía a Câmara dos Deputados.  Não obstante, um golpe militar começou a ser tramado para depô-lo.
No dia 15 de novembro de 1889, um pequeno grupo de soldados, comandados por Deodoro da Fonseca, tomaram o quartel, depois o ministério da guerra e depuseram  o ministério e seu presidente, o visconde de Ouro Preto.
Deodoro e Floriano Peixoto pretendiam a composição de um novo ministério, já que eram leais ao imperador, mas os republicanos escravocratas passaram a tentar convencê-los a proclamar a república.

D. Pedro II e sua família foram obrigados a se exilarem na Europa por conta do golpe militar liderado pelo Marechal Deodoro da Fonseca, e o golpe tramado pelo exército com a ajuda da Mocidade Militar da Escola Militar da Praia Vermelha.

No dia 15 de novembro de 1889, um pequeno grupo de soldados, comandados por Deodoro da Fonseca, tomaram o quartel, depois o ministério da guerra e depuseram o ministério e seu presidente, o visconde de Ouro Preto.

Em 15 de novembro de 1889, o marechal Deodoro da Fonseca declarou o fim do período imperial. Naquele mesmo dia se formou um governo provisório. Assim, o marechal se tornou o primeiro presidente da história do Brasil. 

Aos 17 dias do mês de novembro de 1889 a família imperial era expulsa do país para cumprir seu exílio na Europa. Se deu por volta de 1 (uma) hora da madrugada, sob a alegação de que pretendiam evitar qualquer manifestação de apoio popular ao imperador Dom Pedro II, já que este e principalmente a princesa Isabel, gozavam de grande prestígio popular. Fato é que a população ficou, por muito tempo, sem saber que seu imperador não estava mais entre ela e sequer tinham conhecimento do novo governo implantado.

À medida em que o povo foi tomando conhecimento do acontecido, movimentos pela volta da família imperial começaram a eclodir por todo o Brasil. O governo republicano os destroçou com punho de ferro. Somente nas guerras de Canudos e do Contestado, ambas reivindicantes do retorno à monarquia, mais de meio milhões de pessoas foram massacrados pelas tropas do governo republicano. “Foi quando o Brasil social levantou a cabeça e os Brasil dos argentários as cortou” [..]  E é este o regime de governo que se estende até os dias de hoje.

A República foi instituída efetivamente sem resistência, ao contrario do que supunha encontrar os golpistas. Porém, isso se deve mais à paralisia do governo – por falta de informação sobre a conspiração ou de disposição para atacar aos revoltosos – do que necessariamente a uma unidade no interior do Exército. Os posicionamentos de Benjamin Constant, Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto explicitam não a existência de um grupo coeso, mas dissensões no interior do Exército, que se iniciam na formação – os que cursaram a Escola Militar e os que não cursaram – e vão até a presença ou não dos ideais republicanos. Nessa medida, uma parcela do Exército, e não genericamente os “militares”, assumiu o papel de protagonista nesse episódio, pois – como observou um contemporâneo – o povo “assistira a tudo bestializado, sem compreender o que se passava, julgando ver talvez uma parada militar”; 12 “vários grupos que disputavam o poder tinham interesses diversos e divergiam em suas concepções de como organizar a República” [1]

A organicidade com que ele reflete sobre a história imperial tem o sentido de conspiração, levando-nos a crer que D. Pedro II estava no controle mais absoluto do destino nacional e que ele tinha uma meta a cumprir desde 1840, quando subira ao trono: livrar o Brasil do atraso da escravidão e prepará-lo para a modernidade industrial do século XX através do reinado de sua filha.  Ele educou a Princesa Imperial como havia sido educado, preparou-a para a chefia do Estado. D. Pedro II planejou um futuro sem escravidão, mas, não planejou um Terceiro Reinado que modernizasse o Brasil a partir da abolição; isto é, na inclusão do ex-escravo como pleno cidadão, o que já estava sendo ensaiado pela Monarquia em seus últimos anos.

D. Isabel fez em 13 de maio de 1888 o que D. Pedro II não tivera coragem de fazer em todo o seu reinado. É como se a sociedade brasileira nunca tivesse sido visceralmente escravista e a economia do país toda não dependesse do braço escravo para funcionar. Um mulato, o Barão de Cotegipe, ocupou o cargo de Primeiro-Ministro do Império; a Princesa Isabel fazia aqui nestas terras morenas ao dançar com o engenheiro Rebouças e outros negros que frequentavam os bailes do Império. Mais que isso: visitantes estrangeiros sempre observavam a presença de mulatos e negros em cargos importantes na administração imperial, coisa impensável lá na Europa e nos EUA. Melhor ainda: o Brasil, apoiado em sua população negra, miscigenada e de origem portuguesa, conseguiu, ao final do século XIX, criar um país respeitado internacionalmente, tendo produzido internamente políticos de cuja qualidade sentimos falta até hoje diante do trágico quadro político-partidário republicano atual. O nosso Cotegipe recebeu também título de nobreza com grandeza pelos relevantes serviços prestados à Nação em diversas oportunidades antes de ser alçado ao posto de Primeiro-Ministro. Nossa criatividade produziu uma nobreza em aberto: nossos títulos não eram de sangue, mas nominais. O Barão de Cotegipe um grande defensor da abolição dos escravos. Sua mais célebre citação refere-se aos seus dizeres à Princesa Isabel, quando da assinatura da recém-aprovada Lei Áurea:  “A senhora acabou de redimir uma raça e perder o trono”.

D.Pedro II também perdeu o apoio fundamental da Igreja ao interferir em assuntos religiosos. Com o fim da escravidão, o Império perdeu o importante apoio dos escravocratas, uma vez que os republicanos (que eram aqueles que queriam acabar com a monarquia) compartilhavam os mesmos ideais dos abolicionistas.Os militares estavam descontentes pela atitude do imperador de proibir os mesmos de se expressarem na imprensa. Por fim, a classe média (jornalistas, médicos, comerciantes, etc.) [..], que estava em constante crescimento, desejava conquistar um espaço maior nas decisões políticas. Todos estes fatores foram fundamentais para o fim das bases de sustentação da monarquia no Brasil.

E a possibilidade de que poderia ter advindo um Terceiro Reinado progressista, o que diverge de muitas produções historiográficas de hoje, que diminuem a importância da princesa para a história nacional.

E o que me assombra mais é saber que a queda da monarquia foi tramado pelos militares. A que grupos estes militares estavam ligados para elucidar o papel que cada um desempenhou no movimento golpista e, de certa forma, as dissensões políticas existentes no interior do Exército, já visíveis em 1889, e que se acentuaram nos primeiros anos republicanos. Benjamin Constant  aparece na historiografia “invariavelmente ligado à jovem oficialidade com estudos superiores ou ‘científicos’”.4 Isso porque, tendo cursado a Escola Militar, e recebido em 1860 o título de bacharel em matemáticas e ciências físicas, Benjamin pôde retornar em 1872 a essa mesma Escola como professor da Mocidade Militar – como era denominada a jovem oficialidade dos cursos científicos.  Para aqueles que não tinham como pagar os estudos, ingressar na Escola Militar era, ainda, a única possibilidade de seguir em um curso superior. O grupo formado nesta Escola, interessado em romper com o pequeno círculo dos bem-nascidos e letrados da sociedade imperial, apostava na República como símbolo da meritocracia.  Deodoro da Fonseca, entretanto, representava um outro segmento do Exército: os oficiais denominados de “tarimbeiros”. Ou seja, os “oficiais ligados à tropa, geralmente sem estudos superiores”.6 Esses, em grande parte, como é o caso de Deodoro, ascendiam no Exército devido à sua experiência e qualidades como “guerreiros”.[1]  5
 após a guerra do Paraguai, os brasileiros que lá estiveram em campanha, deslumbraram-se com a forma de governo republicano vigente naquele país, por ser mais moderno, democrático e decidiram implantá-lo também no Brasil, único país monárquico das Américas, sem qualquer plano estratégico para o futuro, sem perceberem às voltas os olhos cobiçados nas riquezas brasileiras.
Os militares se consideravam os únicos patriotas verdadeiros depois da Guerra do Paraguai enquanto o imperador D. Pedro II tentava minar a sua importância, negando aumento no soldo e cogitando a dissolução do Exercito em favor da criação da Guarda Nacional (a qual seria muito mais leal ao imperador e a Monarquia do que o exército).
O medo da Guarda Negra que se formara a partir de escravos libertos e defendiam com grande entusiasmo a monarquia e a família imperial, especialmente a Princesa Isabel.

 Os Militares expulsaram  D.Pedro II do Brasil, proclamaram a República, se elegeram presidentes da  República, que até hoje não funciona, República contaminada por desvios, descaminhos, perda de soberania, perda de patrimônio, descrédito internacional, decretaram ditaduras pela falta da inteligência no comando, no saber, na estratégia a longo prazo, no comando de uma nação, nos planos traçados a curto e longo prazo para elevar o país na condição de auto sustentável, e  para não darem o braço à torcer que pecaram, ao destituir a monarquia no Brasil com laços profundos no saber, na grandeza, esconderam de todos os brasileiros a verdadeira história do Brasil.
A partir da implantação da República, as Forças Armadas, principalmente o Exército Brasileiro, passou a funcionar como um espécie de Poder Moderador, antes exercido pelo Imperador, na complexa engrenagem institucional da República. Enquanto o Exército ganhava ascendência institucional, a maçonaria foi perdendo o seu papel de ator público, principalmente a partir da revolução de 1930, ganhando em contrapartida uma ascendência moral sobre a agenda substantiva do país nas áreas cultural e social. Assim, a maçonaria passou a ocupar-se na implementação no exercício pleno da cidadania.

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