terça-feira, 15 de junho de 2010

Holocausto em Canudos, quando o cidadão brasileiro levantou a cabeça, e o Brasil Oficial dos argentários cortou

Estudar a história é fazer uma viagem no tempo e no espaço. Nosso destino é o futuro. Para chegar lá, temos que visitar o passado e procurar onde está o mapa do tesouro com informações sobre como desembarcar na estação “Futuro Melhor”. O que devemos levar? Cada dia vamos acrescentar alguma coisa em nossa bagagem.

Em Os sertões, Euclides da Cunha usou uma linguagem grandiloquente e rica em termos científicos, apresentou nessa obra, no qual o tema principal é a Guerra de Canudos, um verdadeiro retrato do Brasil no fim do século XIX, discutiu problemas que transcendem o conflito que ocorreu no interior da Bahia. A obra narrativa mistura literatura, sociologia, filosofia e história, geografia, geologia, antropologia, por isso sua preciosidade e grandiosidade. O autor, adepto do determinismo, teoria que afirma ser o homem influenciado (determinado) pelo meio, pela raça e pelo momento histórico, dividiu Os sertões em três partes, a saber: A terra (o meio), O homem (a raça) e A luta (o momento).

O barão Homem de Melo, em carta ao desembargador cearense Paulinho Nogueira datada de 30 de novembro de 1894, declarava não haver na história do Brasil, episódio mais dramático do que o de Pinto Nogueira desde as lutas no nordeste de 1817 e 1824,  um dos realistas que mais se salientaram no Ceará(3). O coronel das milícias Joaquim Pinto Madeira, potentado sertanejo da região do Cariri, levantou-se a 14 de dezembro de 1831 contra a autoridade da Regência, em favor de D.Pedro I (4). Acompanhou-o o cônego Antonio Manoel de Souza  vigário na vila do jardim. Foi essa a única reação anti-maçônica em todo o território nacional. Prova-o de sobejo a proclamação publicada na Vila do Crato, depois de tomada pelo destacamento de linha local em revolta, auxiliado pelos sertanejos armados do coronel e do padre. A maçonaria tem uma habilidade verdadeiramente judaica em aproveitar-se de todos quantos os seus sortilégios possam seduzir, seja qual for o campo político em que atuem. Pinto Nogueira ficou sozinho. Não pode passar além da região do Cariri, onde seria vencido mais cedo ou mais tarde. Porque falhou esse apoio? A tal sociedade secreta fora instituída naturalmente com o fito de enquadrar entre iniciados no verdadeiro segredo maçônico, os patriotas sinceros, monarquistas de convicção, católicos praticantes, como Pinto Madeira  “e mesmo o monarquista Antonio Conselheiro” a trazê-los sob vigilância, e abandonando-os...(5)

O aspecto singular que distinguia as populações dos sertões do Norte de outras populações igualmente "bárbaras" explicava-se pelo fenômeno do isolamento, uma das teses de  "Os Sertões" - de Euclides da Cunha.

Foram os Bandeirantes Paulistas no (Sec.XVI) guiados pelos índios Tupis Guaranis e tribos tupinizadas utilizando exclusivamente sistema fluvial, que ocuparam todo o território brasileiro na época colonial. A ocupação das terras situadas na bacia do Rio São Francisco, o desbrava mento e ocupação das terras interiores do Nordeste  até o Piauí/Paraíba expandindo os limites do Território brasileiro para oeste além dos fixados pelo Tratado de Tordesilhas de 07 de junho de 1494.

Euclides da Cunha aborda claramente em "Os Sertões", documento vivo dos contrastes entre o Brasil que "vive parasitaria mente à beira do Atlântico”  e aquele outro Brasil dos ““extraordinários patrícios”” do sertão nordestino, aonde o grande paradoxo consistia na fonte autêntica da nacionalidade  não haver ainda sido incorporado. O próprio Exército sofria com esse erro histórico:  - O Brasil não tinha um Exército que correspondesse a suas necessidades singulares. O Exército do litoral era como a sociedade do litoral, contaminada por uma formação técnica transplantada de outras sociedades, correspondendo, portanto, a outras necessidades.

Em diversas passagens, Araripe assinalava a identidade entre o seu pensamento e o de Euclides, e não disfarçava o deslumbramento diante do estilo de Euclides da Cunha, citando longos trechos de Os Sertões. 
Entre eles, desperta atenção o trecho em que o curiboca era descrito como produto do mestiça mento somado à influência do meio físico e ao isolamento e representando uma cultura autêntica com tradições remotas (hábitos antigos e folclore belíssimo). O curiboca, oriundo dos mamelucos, dos "índios de São Paulo" e da "gente de João Ramalho " teria " vacinado todos os que tiveram que penetrar nos seus domínios.

Eram os mais adaptados para o meio. "O fazendeiro de gado, o branco não pode dispensá-lo". Concordando com Euclides da Cunha, Araripe reiterava a visão de que apesar da derrota final dos adeptos do Conselheiro em Canudos, "o sertão saiu vitorioso".

O próprio Euclides da Cunha, pisando em solo baiano como correspondente de guerra do jornal o Estado de São Paulo é que compreendeu o drama de Canudos em toda a sua extensão e o porque daquela rebelião, e  registrava a carnificina cometida contra um povo relegado ao abandono e à miséria, que se perpetuam através dos tempos, monárquicos ou republicanos, e percebeu que não se tratava de uma luta por um sistema de governo, mas sim contra uma estrutura que já se arrastava por três séculos.

Antônio Conselheiro, além de abolicionista era um grande orador, por calúnia pelo seu jeito de ser que incomodava os coronéis, foi taxado pela história como  mentecapto e lunático.


O laico Conselheiro, pregava a liberdade religiosa, que abalava  as leis católicas, imperantes na época, pregava a liberdade dos escravos e a liberdade política, dizendo não, ao pagamento de impostos, cobrados da mesma forma aos ricos e aos pobres , sem entender que quem ganha menos deveria pagar proporcional ao que ganha, e não ao lugar onde vive,por exemplo se a patroa e a empregada doméstica vivem no mesmo bairro, as duas pagam IPTU no mesmo valor, e por essas e outras, muitas pessoas, que possuem imóveis em locais mais nobres, são obrigados a vender seus imóveis e passar a viver em lugares mais pobres, porque o imposto que cobram do pobre é o mesmo do rico, e os dois não podem habitar em um mesmo lugar  (economicamente falando) este tipo de visão era o que não aceitava Conselheiro, criando uma espécie de socialismo de baixa renda, em uma aldeia onde quem quisesse viver com igualdade poderia passar a habitar.

Antônio pregava para grandes massas, e suas idéias acabavam sendo difundidas, e repercutindo uma revolta interna do povo  contra a tirania dos coronéis,e esses, começaram a criar a história que Antônio não era um homem de bem e sim um foragido da justiça que havia assassinado a própria mãe.Começou então a correr a história que além de louco, Antônio era agressivo e matricida, e a história que corria era que a mãe de Antônio não se dava com a Nora, e disse a Antônio que  toda vez que o mesmo viajava ela o traía, pedindo a Antônio para fingir que iria viajar, e esperar próxima a sua casa que na mesma noite ele veria o outro homem entrar, e se hoje em dia, os nordestinos lavam com sangue sua honra, imagine naquele tempo, e eis que pela história contada no povoado, ele fez o que a mãe pediu, se escondeu em uma moita e quando viu o homem entrar, largou tiro em cima do mesmo, mas eis que era sua mãe, que vestiu-se de homem para aumentar a veracidade da mentira criada

Dom Luiz, arcebispo da Bahia, fez circular uma proibição de qualquer pessoa do povoado parar para ouvir as palavras de Conselheiro, tornando-se então conselheiro um pesadelo para aquela gente. Então começaram a surgir várias acusações sobre  seu fanatismo religioso e sua vontade de acabar com o Brasil republicano, e criar a monarquia onde ele seria o todo poderoso, visão esta afirmada até mesmo por Euclides da Cunha. E assim a fama de conselheiro corria aos quatro ventos, se antes ele incomodava um povoado, agora já incomodava o estado e em breve iria incomodar o país.

Assim que a república foi instalada, começaram a correr no meio do povo alguns editais sobre a nova cobrança de impostos e foi assim que na cidade de Bom Conselho onde vivia na época o Antônio Conselheiro, chegou o primeiro edital, enviado pelo juiz Dr.Arlindo Leone, que cobrava somente dos mais pobres deixando sem contas com o estado os ricos, assim conselheiro em praça pública queimou os editais, causando a euforia no povo e despertando o ódio do Juiz que sentiu-se ofendido e ultrajado. Conselheiro foi preso, agredido, suas vestes foram rasgadas, e expulso do povoado em 12 de dezembro de 1876, assim,  rumou para o norte  caminhando por 8 dias até chegar em Canudos.

O que aconteceu em Canudos, na versão contada pelo povo nordestino, e apesar de sempre haver um pouco de aumento, quando as histórias são contadas em meio familiar, o povo aumenta, mas,  não inventa,  foram massacrados  no holocausto de Canudos impiedosamente 20.000 (vinte mil) nordestinos, que já eram mal vistos pela  elite oligarca, e só  buscavam a liberdade  para viverem em paz,  gente iludida por uma civilização de empréstimo, patrícios nossos, mais estrangeiros nesta terra, do que os imigrantes da Europa.

Isoladas a princípio, essas turmas adunavam-se pelos caminhos, aliando-se a outras, chegando, afinal, conjuntas a Canudos. O Arraial crescia vertiginosamente, coalhando as colinas com edificação rudimentar permitia à multidão sem lares fazer até doze casas por dia, a medida em que se formava a tapera colossal parecia estéreo grafar a feição moral da sociedade ali acoutada. O povoado novo surgia,  após viverem quatrocentos anos lutando pela vida civilizada, tiveram de improviso como herança, a República.
Intenção de Conselheiro um combatente da liberdade transcrito no bilhete:  "Os amantes da Justiça" 
  • No Jornal de Notícias no balcão de anúncios pagos, um homem se adianta e entrega um papel ao caixa. Está de roupa escura, um fraque de duas pontas e um chapéu-coco que indicam muito uso.
  • Uma cabeleira vermelha cheia de cachos cobre as suas orelhas. É mais alto que baixo, de costas largas, sólido, amadurecido. O caixa conta as palavras do anúncio, fazendo o dedo deslizar sobre o papel. De repente franze a testa, ergue o dedo e aproxima muito o texto dos olhos, para conferir se não tinha lido mal. Por fim, olha perplexo para o cliente, que permanece parado como uma estátua.
  • O caixa pisca, embaraçado, e por fim diz ao homem que espere. Arrastando os pés, atravessa o local com o papel balançando na mão, bate com os nós dos dedos no vidro da diretoria e abre a porta. Segundos depois reaparece e, com gestos, pede ao cliente que entre. Depois, volta ao seu trabalho.
  • O homem de escuro cruza o Jornal de Notícias fazendo seus passos ressoarem como se estivesse de ferraduras. Quando entra no pequeno escritório, entulhado de papéis, jornais e propaganda do Partido Republicano Progressista — Um Brasil Unido, Uma Nação Forte — é recebido por um homem que o olha com uma curiosidade risonha, como se fosse um ser do outro mundo. Está ocupando a única escrivaninha, usa botas, um terno cinza, e é jovem, moreno, com ar enérgico.
  • Sou Epaminondas Gonçalves, diretor do jornal — diz.
  • Entre.
  • O homem de escuro faz uma ligeira reverência e põe a mão no chapéu, mas não o tira nem diz palavra.
  • O senhor pretende que publiquemos isto? — pergunta o diretor do jornal, sacudindo o papelzinho.
  • O homem de escuro confirma. Tem uma barbinha avermelhada como o cabelo, e seus olhos são penetrantes, muito claros; sua boca larga está franzida com firmeza e as fossas do nariz, muito abertas, parecem aspirar mais ar do que precisam.
  • — Desde que não custe mais de dois mil-réis — murmura, num português difícil. — É todo o meu capital. Epaminondas Gonçalves fica na dúvida entre rir ou se irritar. — O homem continua em pé, muito sério, observando-o. O diretor opta por passar os olhos pelo papel:
  •  “Os amantes da justiça são convocados para um ato público de solidariedade aos idealistas de Canudos e a todos os rebeldes do mundo, na praça da Liberdade, dia 4 de outubro, às seis da tarde”
  • lê, devagar. — Pode-se saber quem convoca este comício? — por enquanto, eu — responde o homem, sem vacilar. — Mas se o Jornal de Notícias quiser apoiar, wonderful.
  • O senhor sabe o que aquela gente faz, lá em Canudos?
  • Murmura Epaminondas Gonçalves, batendo na mesa. — ocupam terras alheias e vivem em promiscuidade, como animais.
  • Duas coisas dignas de admiração — opina o homem de escuro. — por isso decidi gastar meu dinheiro com este anúncio. — o diretor fica um instante calado. Antes de falar outra vez, pigarreia:
  • Pode-se saber quem é o senhor? — Sem fanfarronice, sem arrogância, com uma solenidade mínima, o homem se apresenta assim:
  • Um combatente da liberdade, senhor. O anúncio vai ser publicado?
  • Impossível, senhor — responde Epaminondas Gonçalves, já dono da situação. — As autoridades da Bahia só estão esperando um pretexto para fechar o meu jornal. Por mais que da boca para fora tenham aceitado a República, continuam sendo monarquistas. Somos o único jornal autenticamente republicano do Estado, suponho que já notou.
  • O homem de escuro faz um gesto desdenhoso e resmunga, entre os dentes, “Era o que eu esperava”.
  • E lhe aconselho que não leve este anúncio ao Jornal da Bahia — prossegue o diretor, devolvendo o papelzinho.— É do barão de Canabrava, é o imperador de propriedades e pessoas desde Alagoinhas, na entrada do Recôncavo Baiano, até Juazeiro, nas margens do São Francisco dono de Canudos. O senhor acabaria na cadeia.      
  •  http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%ADcero_Dantas_Martins 
  • http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Bar%C3%A3o_Jeremoabo_1868.jpg      
  • Sem uma palavra de despedida, o homem de escuro dá meia volta e se afasta, guardando o anúncio no bolso. Atravessa a redação do jornal sem dirigir a vista ou a palavra a ninguém, com seu andar sonoro, observado de esguelha — uma silhueta fúnebre, cabelos ondulantes muito acesos — pelos jornalistas e clientes dos anúncios pagos, após sua passagem, o jornalista jovem, com seus óculos de míope, levanta-se da mesinha com uma folha amarelada na mão e vai até a Diretoria, onde Epaminondas Gonçalves ainda está espiando o desconhecido.
  • Publicar:  “Por ordem do governador do Estado da Bahia, o Excelentíssimo Senhor Luis Viana, partiu hoje de Salvador uma companhia do Nono Batalhão de Infantaria, comandada pelo tenente Pires Ferreira, com a missão de expulsar de Canudos os bandidos que ocuparam aquela fazenda e capturar seu chefe, o sebastianista (não era monarquista nem sebastianista. apenas refutava como que por instinto o pseudo-laicismo do novo regime republicano, que quis pegá-lo como bode expiatório) “Antônio Conselheiro”. — Lê, ainda na soleira da porta. — Primeira página ou interna, senhor? — Embaixo dos enterros e das missas — diz o diretor. Aponta para a rua, onde o homem de escuro desapareceu. — Sabem quem era esse homem?      
  • (Narrado  pelo peruano Mario Vargas Llosa)
Barão de Canabrava em Salvador BA o dono de Canudos:
  • No retorno do passeio prolongado à Europa, o barão de Canabrava, “dono” de Canudos, enquanto o conflito dos beatos seguidores de Conselheiro e as tropas do Exército  comandadas pelo general Moreira Cezar, ameaçavam incendiar a Bahia e projetavam reflexos de enorme tensão sobre a República vicejante e instável. — Recebido pela tensa elite, acusada de colaborar com os sediciosos "monarquistas" de Canudos, o Barão produz uma fala antológica, na presença, inclusive, do Conselheiro Luis Viana, que então governava a Bahia. Cícero Dantas disse: ( na pele do personagem de Llosa)  
  • Ninguém vai arrebatar o que é nosso. Não estão aqui o poder político, a administração da Bahia, a justiça da Bahia, o jornalismo da Bahia? Não estão aqui a maioria das terras, dos bens, dos rebanhos da Bahia? “Nem o Coronel Moreira Cezar pode mudar isso".
  • E o Barão de Canabrava (6) concluiu seguro de si, levantando um pouco o tom de voz: "Acabar conosco seria acabar com a Bahia, senhores  Epaminondas Gonçalves (o líder dos republicanos baianos na época) e os que o seguem são uma extravagante preciosidade desta terra.
  • “Eles não têm os meios, nem a gente , nem a experiência para dirigir a Bahia ainda que tomem as rédeas nas próprias mãos. O cavalo os jogaria no chão no ato".
Antonio Conselheiro era um patriota de visão ampla, o que ele reivindicava em 1884, a sociedade brasileira protesta hoje 2010 no entanto, Conselheiro fez ver as governanças que o povo deve ser tratado com respeito.  Não concordo com as críticas de filósofos, escritores, jornalistas e outros, para inocentar os coronéis, a elite oligarca, e  a classe política, que Conselheiro sofria das faculdades mentais. Os brasileiros nunca aceitaram o “golpe” da Proclamação da República,  tramada desde o século XVII e realizada em 15 de novembro 1889 sob o comando da então secreta judaico-maçonaria, liderada por secretos iluminados(1) da então secreta fé, no comando os membros governamentais bacharéis em direito, sob o juramento bucheiros da secreta “Burschenschaft”(2). O golpe foi um crime praticado contra a inocência e ingenuidade do povo brasileiro,  que  sofreu desde que o judeu-masson Nassau desembarcou nas terras tupiniquins, descarregando suas caravelas abarrotadas de soldados bárbaros, dando início ao extermínio da raça guarani e de milhares de sertanistas habitantes nas terras do norte, que não aceitavam como prêmio a escravidão.

“Canudos não se rendeu”Os sertanejos resistiram até o esgotamento completo lutaram até a morte; na frente dos quais rugiam raivosamente milhares de soldados do Exército e do Estado da Bahia — mulheres precipitando-se nas fogueiras dos próprios lares, abraçadas aos filhos pequeninos. Destruíram as casas, 5.200 cuidadosamente contada.


Foi formada uma terceira expedição, que comandada pelo Coronel Moreira César, um dos nomes mais temidos do exército brasileiro, invadiu o sertão baiano com mais de mil homens, e uma tropa montada, para combater os sertanejos, que não se rendiam, quando a tropa via, um oficial de patente cair, a metade corria ,  e a outra metade esmolecia, e nessa hora que o exército do conselheiro mostrava sua força e sua estratégia, atacavam a todos, sem escolher a patente, mas volta e meia, acertavam um dos grandes, e esta fama, era a que corria, que nenhum grande general com eles podia, e assim foi com Moreira César, começou o ataque, sem dó nem piedade, mandou queimar as cinco mil casas do vilarejo com sua gente dentro, idosos, crianças e mulheres, veriam seu sonho de liberdade acabar nas mãos do exército, mas a coisa não funcionava assim, Moreira César, não cavalgou 300 metros, levou um tiro de espingardada e tombou sem vida, em meio ao sertão nordestino.


Barbárie do Exército à mando da nova República, contra uma comunidade de pobres sertanejos.

A ordem do presidente da República Prudente de Moraes, o Brasil Oficial ao comando da quarta e última expedição foi para que não ficasse pedra sobre pedra. Documentos da época mostram o crescente pavor do clero e dos governantes locais pela ameaça para eles representada pelo lunático  colocaram um telégrafo, para que pudessem informar rapidamente o que estava acontecendo, e eis que veio o reforço, mais três mil e quinhentos homens ,  formando um total de 300 para cada homem do vilarejo e foi assim que Canudos foi vencida,duas faces do mesmo País - dois Brasis, onde no entanto,  uma se confundiria com a outra, e vice-versa - num embate desigual que se afigura um extermínio em massa.


No final o exército ateou fogo à cidade com tochas de querosene. Não se tratava de uma luta de caboclos, de pessoas mestiças de raças inferiores, afirma quem contesta a visão do conflito transmitida por Euclides da Cunha, a selvageria do Exército, obrigando os jagunços a se defenderem como cidadãos combatentes. O Exército praticou um dos maiores holocausto já visto, nas terras de Canudos

A campanha foi fotografada por Flávio de Barros, fotógrafo oficial do Exército durante o conflito, e pelo espanhol Gutierrez, que foi o primeiro fotógrafo morto em ação na história do foto jornalismo.

As fotos de Flávio de Barros apresentam também uma das mais lamentadas lacunas dessa mesma história: por força da censura, ou das obrigações que o prendiam ao Exército, ou ambas as coisas, ele deixou de documentar a selvageria e as atrocidades que caracterizaram o fim do conflito.

Muitas das cerca de trezentas mulheres e crianças de oito a 15 anos de idade, feitas prisioneiras da guerra de canudos, foram vendidas para a prostituição depois de cada viela da colmeia de taipa ter sido meticulosamente incendiada em derradeiro gesto de purificação, como rezam as crônicas.

No dia 6 de outubro de 1897, um dia após a tomada definitiva de Canudos, descobriu-se o local onde Antônio Conselheiro tinha sido enterrado. Conselheiro foi desenterrado do cemitério, o corpo de Antônio Conselheiro foi fotografado por Flávio de Barros, fotógrafo baiano que acompanhou a IV Expedição, e com uma faca afiada, deceparam-lhe a cabeça levando-a para Salvador (BA) para exame do Dr. Nina Rodrigues, para que fosse diagnosticado o seu estado de saúde mental. Os médicos concluíram que sua caixa encefálica era a de um homem são.  

Canudos deu também a desculpa para se impor, a partir de 1898, a política dos governadores, que foi uma traição aos princípios liberais do Partido Republicano de 1870, ao impedir a escolha popular dos representantes políticos. 
Canudos foi ainda uma das causas da Revolução de 1930 e também da Revolução de 1964. Foi o momento em que a elite nacional decidiu governar o país de modo antidemocrático, fechando o jogo político da República.

O A B C de Canudos, recolhido por Euclides da Cunha, conforme consta na Caderneta de Campo, (...) refletindo a psicologia coletiva, traduz a resistência da sociedade sertaneja às mudanças impostas pela "civilização", como as quadras transcritas, exemplo da literatura oral e poesia anônima 
  •  Saiu D. Pedro Segundo
  •  Para o reino de Lisboa
  •  Acabou-se a monarquia
  •  O Brasil ficou atôa
Olímpio Santos - Guarda das ruínas de Canudos do Conselheiro:
Aqui nós vamos descendo pra baixa da degola. era onde ficava 
Foi onde o pessoal se escondia e o pessoal cercava para vir para a matadeira, todos pra morrer na degola. 
03 de outubro de 1897, Antônio Beatinho é degolado junto com seus companheiros que se entregaram confiando na palavra do General Artur Oscar em lhes garantir a vida.
A degola dos prisioneiros era a consumação final do massacre. Mas esta prática não era nova na campanha. Desde Agosto que os jornalistas relatavam casos praticados de forma discreta na calada da noite. Agora, nos últimos dias da guerra, a "gravata vermelha" como também era chamada a degola, foi larga e amplamente utilizada sem cerimônias, em plena luz do dia.

O acadêmico de medicina Alvim Horcades escreveu: "eu vi e assisti a sacrificar-se todos aqueles miseráveis (...) e com sinceridade o digo: em Canudos foram degolados quase todos os prisioneiros (...) levar-se homens de braços atados para trás como criminosos de lesa-majestade, indefesos e perto mesmo de seu escárnio, levantar-se pelo nariz a cabeça, como se fora o de uma ave, e cortar com o assassino ferro o pescoço, deixando a cabeça cair sobre o solo - é o cumulo do banditismo praticado a sangue-frio (...) Assassinar-se uma mulher pelo simples fato de ser o seu companheiro conivênte com o que se dava - é o auge da miséria! Arrancar-se a vida a uma criancinha (...) é o maior dos barbarismos e dos crimes que o homem pode praticar". (Horcades, 1899.) 


Termina a resistência sertaneja, Canudos estava destruída. Num cenário de fim de mundo, por entre becos e ruelas, uma legião de corpos carbonizados se misturam com as ruínas e as cinzas das 5.200 casas. A elite política, acadêmica e militar do pais estava em êxtase. Os deputados federais da Bahia congratulam-se com o governo pela "completa destruição de Canudos, baluarte de bandidos e fanáticos" e o próprio Presidente da República, Prudente de Moraes, declara: "em Canudos não ficará pedra sobre pedra". Enfim os generais cumpriram o prometido, pois queriam que ali se plantasse a solidão e a morte. 


Numa preciosidade do pensamento dominante, O Barão de Studart escreve"Para esse fim houve recurso aos meio mais desumanos, que não convêm registrar a bem dos nossos foros de nação civilizada e cristã".                                                                                                        
  • 06/10/1897, o General Comandante Artur Oscar publica a Ordem do Dia nº 145: "Viva a Republica dos Estados Unidos do Brasil! Está terminada a Campanha de Canudos. Batalhões das forças expedicionárias passeiam suas bandeiras sobre as ruínas da cidadela, com a consciência de bem haverem cumprido o seu dever.
  •  03/11/1897, é lançado em Salvador um manifesto de 41 estudantes baianos protestando contra o "cruel massacre ... exercido sobre prisioneiros indefesos e manietados em Canudos e até em Queimadas". Pouco depois, também Rui Barbosa declara um elogio aos estudantes que " protestam contra a vitória que degola os vencidos". 
  • o5/11/1897, é assassinado no Rio de Janeiro (RJ), o Marechal Carlos Machado Bittencourt, Ministro da Guerra, que em setembro se deslocara para o sertão baiano, assumindo pessoalmente o comando das operações militares da Guerra de Canudos.
  • 02 /12/1902, é lançado no Rio de Janeiro o livro "Os Sertões", um clássico sobre a epopéia de Canudos, escrito por Euclides da Cunha, que em 1897 havia sido contratado pelo jornalO Estado de São Paulo para in loco produzir uma série de artigos sobre a guerra de Canudos e "além disso, tomara notas e fará estudos para escrever um trabalho de fôlego sobre Canudos e Antônio Conselheiro. Este trabalho será por nos publicado", conforme rezava o contrato entre ele e o "Estado". Alguns anos depois, pela Editora Laemmert, o livro foi lançado no mercado editorial brasileiro, transformando-se numa das principais obras da literatura mundial, já tendo sido traduzido para mais de 10 idiomas, com um número superior a 50 edições brasileiras e sendo objeto de mais de 10 mil trabalhos escritos.
  • 03/03/1905, um incêndio na antiga Faculdade de Medicina do Terreiro de Jesus, em Salvador (BA), destrói a cabeça de Antônio Conselheiro que se encontrava em exposição pública desde o final da guerra de Canudos, em outubro de 1897.
  • 12/03/1962 Inicio da chuva que em poucos dias transbordou o Rio Vaza-Barris e encheu o Açude de Cocorobó, cobrindo a velha Canudos.
  • Década de 1980, o vale de Canudos foi inundado pelas águas de um grande açude sem serventia, como tantos outros no sertão contemporâneo. Construído talvez não para matar a sede mas para apagar da memória um dos episódios mais chocantes da história do "país da cordialidade" e da bonomia. E encher os bolsos dos eminentes políticos. 
  • Setembro de 1996,  Mas nem mesmo ali o sertão virou mar. Com a seca no sertão de Canudos e o enxugamento do Açude do Cocorobó, no centenário do primeiro ataque militar a Canudos, o que restou de Belo Monte - as ruínas da igreja nova e o cemitério - reemergiu das águas. Talvez para lembrar que a cidadela do Conselheiro não se rendeu. Resistiu até o esgotamento e queimou como uma danação bíblica.                                                                                                               
Hoje, o Nordeste continua  controlado pela oligarquia, coronéis e latifundiários internacionais e centralizadores, transformando-se em área turística nacional e internacional da elite de alto "nível":, http://www.flickr.com/photos/10916614@N0… Solo nordestino que proibido foi a seus legítimos donos habitarem, explorarem o cheiro da sua terra,  terras de solo fértil, em água, minérios, quando não mortos, os do norte foram expulsos em pau-de-arara  para outros estados;  alojados em cortiços, morros, levados a vida desumana, a prostituição, sem ajuda ou qualquer infra estrutura, assim, ficaram disponíveis a serviço da oligarquia centralizadora, como mão de obra escrava.                                                                                                              

O dramaturgo brasileiro Ariano Suassuna descolou uma imagem muito nítida desse ciclo: As rebeliões de Canudos, Contestado e Palmares, foram momentos em que o Brasil cidadão levantou a cabeça e o Brasil oficial cortou.   

Para os brasileiros, a pergunta fica: Porque,  até hoje o cidadão luta pela igualdade social? leiam:
E tentem recordar agora da figura do baiano Daniel Dantas na CPI dos Correios/Mensalão,  era a cópia fiel do Barão de Canabrava Cícero Dantas (de quem o banqueiro vem a ser trineto) do clima de tensão e confusão que logo se estabeleceu com a sua presença: o olhar pasmo do esperto Deputado Federal Itagiba, a cada resposta do depoente; o desconforto seguido de irritação aberta dosenador Raul Jungmann (PPS-PE), quando teve negada a sua vontade aparente de prorrogar e aprofundar investigações, que batia de frente com o relator Nelson Pelegrino (PT-BA) em sua pressa de encerrar tudo o mais rápido possível. (Vitor Hugo Soares)


fontes:
1-     Théories du complot maçonnique                              
2-     http://bilheteemresposta.blogspot.com.br/2009/12/comunhao-dos-invisiveis.html
3-     “Revista do Instituto Histórico Geográfico Brasileiro”, t.III, relativo ao 3̊ ano social, 1841, reimpresso em 1860, tip. De D. L Santos, pg.134.
4-      “Revista do Instituto Histórico Geográfico Brasileiro”, t.III, relativo ao 3̊ ano social, 1841, reimpresso em 1860, tip. De D. L Santos, pg.235.
5-     Livro: História Secreta do Brasil, Barroso Cap. VI, pg,71-72.
6-    Epaminondas Gonçalves o Barão de Canabrava, coronel nordestino (o líder dos republicanos baianos na época). 
Livro: Os Sertões de Euclides da Cunha
Narração do peruano Mario Vargas Llosa
Depoimentos de  nordestinos
http://mudancaedivergencia.blogspot.com/2010/07/campos-de-concentracao-no-nordeste.html

5 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns pelas colocações tinha lido sobre o massacre de canudos mas não com tantos detalhes.

Marilda Oliveira disse...

Graças a herança literária de Euclides da Cunha, formado numa ciência positiva e numa concepção materialista, ao fazer a viagem purificadora aos sertões do Norte, havia se transformado num escritor da mais pura sensibilidade. Falar sobre conselheiro,deu-me a sensação de ter vivido os anos 1900.

Marilda Oliveira disse...

O Geofísico e Escritor Ruy Bruno Bacelar de Oliveira ocupou as páginas da revista RAÍZES DA BAHIA, em maio de 1991 numa inspirada entrevista em que além de apresentar um perfil inédito da figura mística de Antônio Conselheiro - historicamente retratado como louco, fanático e contra-revolucionário perigoso – lança novas luzes sobre o sangrento episódio da Guerra de Canudos, inclusive afirmando que se o movimento iniciado por Antônio Vicente Mendes Maciel, o conselheiro, ( 1855 -1897) houvesse prosperado, o Brasil de hoje, seria uma grande potência mundial. A entrevista e o tema são verdadeiramente fascinantes. Lamentavelmente inúmeros leitores, na época de sua publicação, ficaram privados do conhecimento desta matéria devido a insuficiência de exemplares editados além do que, ä distribuição da revista atendeu prioritariamente a setores específicos.

Marilda Oliveira disse...

No Piauí, um dos estados onde há o maior número de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, a coordenadora da Gerência de Enfrentamento ao Trabalho Infantil, Rosângela Lucena, informou à Agência Brasil que mais de 34 mil que estavam em situação de trabalho infantil são atendidas hoje pelos núcleos do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos do Sistema Único de Assistência Social (Suas). Esses núcleos recebem recursos do Peti.
De acordo com Rosângela, a maioria dessas crianças estava trabalhando com os pais na agricultura familiar. Hoje, o estado está priorizando a questão do trabalho infantil escravo, que registra alto índice no Piauí. “Queremos fazer um estudo sobre o trabalho infantil escravo no estado e, para isso, estamos contratando faculdades para nos ajudar. Há 34 mil menores atendidos que estavam em situação de trabalho infantil, tanto que o Piauí está na lista dos estados brasileiros com os mais altos índices de crianças nesse tipo de atividade”, informou. A intenção é que o diagnóstico esteja concluído no próximo ano.
Da Agência Brasil

Marilda Oliveira disse...

MENSAGEM IMPORTANTE PARA REFLEXÃO EUCLIDES NOS DEIXOU... Quem ordenou o massacre àquele povo indefeso? Porque?
Euclides da Cunha registrava a carnificina cometida contra um povo relegado ao abandono e à miséria, que se perpetuam através dos tempos, monárquicos ou republicanos.
Percebeu que não se tratava de uma luta por um sistema de governo, mas sim contra uma estrutura que já se arrastava por três séculos.